No dia 22 de maio de 1936, o Salão das Colunas de Moscou viu todos os seus lugares ocupados. Do lado de fora, multidões acompanhavam pelos tabuleiros de demonstração espalhados. Naquele dia acontecia a sétima rodada do International Chess Tournament (Torneio Internacional de Xadrez, em tradução livre), e a partida principal era Botvinnik vs. Capablanca, ambos empatados na liderança com 4,0 pontos em 6.
Jose Raul Capablanca (1888-1942) foi uma figura lendária: um prodígio desde criança que veio a se tornar o terceiro campeão mundial de xadrez. Seu entendimento posicional do jogo, principalmente dos finais, influenciou muitos de seus sucessores. Hoje veremos outro lado deste jogador, em que ele emprega sua astuta psicologia. Preste bastante atenção às análises, pois elas são muito ricas.
Depois de perder o título em 1927 para Alekhine, Capablanca participou de diversos torneios, um atrás do outro, a fim de obter sua revanche. Enquanto isso, nomes como Keres, Reshevsky e Reuben Fine emergiam como jovens talentos. Mas foi o jovem Botvinnik que se tornou o maior desafio. Foi ele quem venceu o Torneio de Moscou em 1935, jogando o Capablanca para a quarta posição. Apesar disso, os admiradores do gênio cubano se amontoam dentro e fora.
Botvinnik tem toda a confiança, afinal, embora Capablanca fosse seu ídolo por todos esses anos, o jovem russo conseguiu se segurar nos encontros anteriores. Era hora de tentar uma vitória. E aquele parecia ser o dia. Ele dominou Capablanca, que estava à beira da derrota, embora tenha usado quase todo o tempo do relógio.
O suspense tomou conta do público, já que Botvinnik tinha cerca de um minuto antes de atingir o lance 40 e ganhar mais tempo. Foi quando ele revelou uma combinação complexa que ameaçava o mate. Porém, ele não contava com o que seu adversário havia preparado. Observe.
Um duelo acirrado, digno de ambos os jogadores. O jogo sacrificial de Botvinnik merecia um destino melhor. Por outro lado, Capa demonstrou um sangue-frio admirável ao enfrentar um ataque aparentemente irresistível. No fim das contas, esse confronto foi decisivo para o resultado final. Capa ficou em primeiro lugar, com 13,0 pontos em 18. Botvinnik ficou em segundo, com 12,0.
Eles só se encontrariam novamente em Nottingham 1936, quando empatariam não apenas na partida, mas também em primeiro lugar com 10,0 em 14 pontos. Mas no torneio AVRO 1938, Botvinnik teve sua revanche, embora não tenha ido muito bem no torneio em si. Ele chamou essa partida de “A partida da minha vida”. Capablanca não guardou rancor por ter perdido e declarou: “Foi uma batalha de ideias”.
Uma atuação fantástica que o próprio Capa adoraria ter realizado! Ele continuou sendo o ídolo de Botvinnik até o fim. O mestre e o discípulo já não estão mais entre nós. Só nos resta valorizar o legado que deixaram.


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