Roman Vidonyak, o treinador de Javokhir Sindarov: entrevista completa

Há alguns dias o treinador Roman Vidonyak concedeu uma entrevista muito legal ao ChessBase, na qual falou a respeito do fenômeno Javokhir Sindarov, da jovem Bibisara Assaubayeva (também sua aprendiz) e dos planos para o futuro de ambos. Aqui eu trago as perguntas feitas ao treinador pelo MI indiano Sagar Shah, traduzidas para o português.

Roman e Sindarov trabalham juntos desde janeiro de 2025. Nos últimos 16 meses, eles conseguiram um feito impressionante: Sindarov venceu o Torneio de Candidatos com uma performance incrível. Como se fosse pouco, Roman também guiou sua aluna Bibisara ao segundo lugar do Torneio de Candidatas, e por muito pouco ela também não venceu o torneio.

Nesta entrevista, o treinador Roman Vidonyak fala dos bastidores do sucesso de Javokhir Sindarov, destacando seu método rigoroso de treinamento. Ele aborda a importância da resistência mental, da disciplina e de um preparo contínuo, além de discutir o papel da motivação, da ciência cognitiva e da personalização no ensino. Vidonyak também analisa o cenário competitivo atual, comenta possíveis confrontos contra Gukesh e reflete sobre o que é necessário não apenas para conquistar o título mundial, mas para dominar o xadrez por anos, como fizeram grandes campeões do passado.

Entrevista com o treinador Roman Vidonyak

Eis a transcrição da entrevista completa, que aconteceu alguns dias após o desfecho dos Candidatos.

Sagar Shah (SS): Roman, muito obrigado por conceder esta entrevista e parabéns pela vitória do Javokhir. Já se passaram cerca de dois dias desde que ele venceu com uma rodada de antecedência. Como você está se sentindo no geral?

Roman Vidonyak (RV): Puxa, foi um torneio incrível! Foi um ótimo resultado e uma grande conquista, mas isso já ficou no passado. Agora é um novo dia com novas tarefas. Para os espectadores, é apenas um momento muito importante e um grande torneio do Javokhir. Para nós, acho que, em dois ou três dias, teremos que começar a planejar, treinar a cada dia, a cada semana, a cada mês, como profissionais.

SS: Então, faltam mais dois dias para voltar a Tashkent e talvez participar de alguns eventos públicos, e isso é tudo? Depois, começam a trabalhar?

RV: Sim, é isso. Não temos muito tempo, não só até o Campeonato Mundial. Por exemplo, além disso, vamos parar em Varsóvia e Bucareste para o Grand Chess Tour — torneios de altíssimo nível nos quais Gukesh também participa. Todos os melhores jogadores do mundo disputarão partidas de blitz e rápidas em Varsóvia. Três dias depois de Varsóvia, temos Bucareste, um evento clássico do Grand Chess Tour. Esses dois torneios são grandes e muito importantes.

SS: Lembro que houve um evento do Grand Chess Tour em que Vladimir Fedoseev dominou completamente.

RV: Sim, em Varsóvia. E ele também vai jogar este ano.

SS: E você estava trabalhando com ele naquela época?

RV: Sim, trabalhei com ele por muitos anos, mais de três anos. Agora ele precisa cuidar de alguns assuntos pessoais e deu uma pausa nos treinos, mas aguardo o retorno dele.

SS: Quando você começou a trabalhar com o Javokhir?

RV: Em janeiro de 2025. Eu [já] estava em Weissenhaus com ele.

SS: Como isso aconteceu? Você começou a trabalhar primeiro com a Federação do Uzbequistão ou com o Javokhir?

RV: Não, primeiro foi com o Fedoseev. Precisávamos de um parceiro de treino para cada estágio. Esse é o meu sistema: trabalhar com dois jogadores muito fortes. É importante. E não é tão fácil encontrar um parceiro de treino para o Fedoseev, pois ele é um grande jogador. Tivemos o Jorden Van Foreest, tivemos o Anish Giri e alguns outros grandes jogadores. Mas, em determinado momento, tivemos que pensar em um parceiro de treino realmente bom para algumas etapas. Fedoseev disse: “Olha, Javokhir é um jovem muito interessante”, e a mente dele o lembrava da mente de Botvinnik. Foi muito interessante para mim.

Naquela época, Javokhir também estava buscando novos passos em seu xadrez. Vladimir conversou com ele e explicou um pouco do meu sistema. Ele veio para Munique, tivemos um dia de treino, e foi muito interessante para ele e para mim também. E começamos a treinar muito, muito mesmo.

Foram nove intensivos de treinamento, de 10 a 14 dias cada, cerca de 140 ou 160 dias no total. Cada dia era intenso, muito intenso, sem computador, apenas no tabuleiro. Oito horas por dia.

SS: Uau! Quando você menciona seu sistema, do que se trata?

RV: Bem, só conseguirei explicar bem no meu próximo livro. Vou tentar explicar resumidamente aqui. Trata-se de um trabalho sobre habilidades de xadrez muito importantes, necessárias aos super grandes-mestres. Divido as habilidades de um GM em 17 partes. Para cada parte, tenho milhares de posições muito específicas para treinar essa habilidade. Treinamos as habilidades por meio de avaliações. Minha escala de avaliação vai de C-, a nota mais baixa, até A+. Se vejo que meu aluno alcança A+ em uma habilidade, passamos a treinar intensivamente outras habilidades.

O jovem Sindarov começou a se destacar bem cedo no xadrez mundial

SS: E o Javokhir ainda nem chegou ao nível A na maioria das habilidades, certo?

RV: Não, neste momento nem mesmo A-. Ele está no nível B agora. Mas ele tem potencial para progredir em todas as habilidades.

SS: Isso significa que esses quebra-cabeças são realmente difíceis.

RV: Sim, claro. E são milhares, porque ele os resolve muito rápido. Tenho cerca de 40.000 quebra-cabeças que eu mesmo criei, mas preciso criar novos todos os dias.

SS: Você os seleciona manualmente ou usa IA?

RV: Não, não. É preciso conhecer o aluno, suas dificuldades, e ter um olho clínico para identificar os quebra-cabeças que ajudam esse aluno e resolvem esse problema. Isso não pode ser feito por IA.

SS: Digamos que, na partida entre Matthias Bluebaum e Sindarov, ele tenha tomado uma decisão abaixo do ideal. Você criaria posições para esse tipo de situação?

RV: Sim, claro. Não é tão difícil de explicar. Há dois momentos. O primeiro é a resistência. O estresse e a pressão eram tão altos que seu cérebro estava cansado. E um cérebro cansado diz: “Tudo bem, faça trocas, vá para um final seguro, não calcule demais”.

Se treinarmos a resistência, o cérebro melhora nessas situações e diz: “Tudo bem, você pode conferir novamente, pode pensar em outros lances”. E ele tem energia para fazer isso. Atualmente, Javokhir tem energia suficiente, mas não para todos os lances e para todas as partidas em um torneio difícil.

SS: Então, a resistência é uma das 17 habilidades?

RV: Sim, uma habilidade muito importante.

SS: Você analisa posições todos os dias?

RV: Sim. Eu analiso centenas de partidas todos os dias e sei qual posição corresponde a qual habilidade. Grandes mestres de verdade precisam de milhares de posições. Não dá para melhorar uma habilidade com 50 ou 100 posições — é como os músculos. Não dá para ir à academia por três meses e dizer: “Tenho bíceps para o resto da vida”. Eles desaparecem quando você para de treinar.

SS: Para seguir o seu método, o esforço que um jogador precisa dedicar é enorme. Isso é sustentável?

RV: Se alguém não estiver motivado, não vai se tornar um grande jogador. Depois de dois ou três meses treinando no meu sistema, você se sente mais forte e começa a gostar do treino. Mas os primeiros dois ou três meses são muito difíceis.

SS: É como ir à academia. Depois de 2 a 3 meses, você começa a ver os resultados.

RV: 100%. O mesmo vale para a corrida, por exemplo. No primeiro mês você pensa: “Ah, de manhã cedo tenho que sair para correr”, mas depois de dois meses, você quer fazer isso. Na verdade, você gosta de fazer isso!

SS: O que impulsiona sua motivação?

RV: Ela nasce do amor pelo xadrez e do amor pela profissão de treinador. Eu amo essa profissão, amo essas ideias. Quero ser melhor a cada dia — e, para ser melhor, é preciso trabalhar.

SS: Quando se trata de um Mestre Internacional ser um grande treinador, a primeira pessoa que vem à mente é, sem dúvida, Mark Dvoretsky. Ele escreveu muitos livros e treinou jogadores como Yusupov, Dreev e Dolmatov. Você já leu os livros dele?

RV: Sim, claro que li os livros dele, e acho que ele fez um ótimo trabalho. Mas ele viveu numa época sem engines (computadores), e era muito difícil fazer mais do que ele fez. É preciso ser um super grande-mestre para criar exercícios com tanta precisão sem um engine. Hoje vivemos em tempos diferentes e os computadores me ajudam muito.

SS: Magnus Carlsen afirmou que o xadrez clássico está ficando enfadonho. Você concorda?

RV: De forma alguma. Talvez seja enfadonho para o Magnus porque ele já jogou muito e ganhou muito. Além disso, para os Campeonatos Mundiais, ele deve ter preparado muitas aberturas, e isso deve ter se tornado difícil e enfadonho para ele. Passar horas todos os dias aprendendo variações de abertura não é a única maneira. Podemos fazer de outra forma. Também temos Ferraris, mas Usain Bolt corre provas de 100 metros e isso é extremamente emocionante. O mesmo vale para o xadrez. Após a preparação, ainda temos partidas longas com momentos críticos — ataque, defesa, finais de jogo.

SS: Você também trabalha com neurologistas e entende como o cérebro funciona, certo?

RV: Claro, ele é o nosso instrumento. Eu leio e reflito muito. Vou escrever sobre isso no meu livro — sobre técnicas mnemônicas e memorização. A ciência está muito avançada nesse campo. Os jogadores de xadrez não a utilizam, mas precisam utilizá-la.

SS: Você pode dar um exemplo de como o cérebro funciona, mas os jogadores de xadrez não estão cientes disso e não estão tirando proveito disso?

RV: Não sei o quanto posso revelar, porque temos uma partida contra o Gukesh. No meu livro, vou revelar muitas coisas que serão úteis para treinadores e jogadores, mas não todos os segredos. Tudo o que precisamos para a preparação da partida vou manter em segredo, é claro.

SS: Qual partida de Javokhir mais te impressionou neste Torneio dos Candidatos?

RV: Contra o Fabiano, na segunda metade. Foi uma defesa brilhante. Depois da partida, Iosif Dorfman me ligou e disse: “Nossa! Que jogo forte! Esse empate vale mais do que dez vitórias!”.

SS: Foi uma defesa incrível. Não é o tipo de posição em que Javokhir se destaca, certo? Ele encontrou tantos lances bons — Kg6, h5, Kh6 e assim por diante.

RV: Não era o tipo de posição dele há um ano! Mas trabalhamos em quase 200 posições dee defesa e jogamos várias partidas até o fim. É uma das habilidades importantes no meu sistema.

SS: As partidas contra Pragg também foram incríveis!

RV: Sim, foram realmente incríveis! A primeira partida é no estilo Tal. Embora tenhamos nos preparado muito bem, acho que a preparação dos nossos adversários talvez não tenha sido tão boa quanto eu esperava. Na preparação, também precisamos de sorte. Preparamos centenas de posições e variações, mas o que aparece no tabuleiro é uma questão de sorte.

Que time! Javokhir Sindarov, Roman Vidonyak e Bibisara Assaubayeva

SS: Você também trabalha com Bibisara Assaubayeva.

RV: Bibisara faz parte do meu programa de treinamento da mesma forma que Javokhir. Acredito que ela se tornará a melhor jogadora de xadrez do mundo. Ela precisa treinar bastante. Sabemos quais são os pontos que precisamos trabalhar, é claro, e ela precisa de tempo. Mas ela é muito jovem, muito motivada, e tenho orgulho de treinar a Bibisara.

SS: O que o faz acreditar que Javokhir se tornará o melhor do mundo? Sei que é o seu método e que o seu sistema funciona, mas você fez isso com Anish Giri e com Fedoseev também. O que há em Javokhir que o faz sentir isso?

RV: Anish Giri e Fedoseev não são tão jovens quanto Javokhir — esse é o primeiro ponto. E talvez eles não tenham o tempo, a energia ou a mentalidade agora para treinar tão intensamente. Mas tenho certeza de que, se Anish treinasse comigo em nove intensivos por ano, ele poderia chegar a 2800. Ele não é um jogador velho. Ele tem potencial.

SS: Você acha que quem trabalha com você precisa confiar no seu processo? Porque, se essa pessoa tiver dúvidas, não vai dar certo.

RV: No primeiro intensivo. Depois do primeiro, todo GM experiente entende do que se trata. Mas, no primeiro treinamento, sou um treinador desconhecido e, claro, um grande-mestre precisa confiar no meu sistema de alguma forma.

SS: E quanto aos seus alunos? Os jovens gostam de redes sociais. Qual é a sua opinião sobre isso?

RV: As redes sociais não fazem bem ao cérebro, é claro. Mas os jovens que treinam duro precisam ter algum espaço de liberdade em suas vidas. E eu não sou tão rígido a ponto de dizer “nada de redes sociais”. Acho que é uma escolha que eles precisam fazer.

SS: Então, basicamente, você diz: “Oito horas comigo; depois disso, o que vocês fizerem é com vocês”.

RV: Claro. Pratiquem esportes. Vejam filmes e cultivem a mente, mas sintam-se à vontade.

SS: Deve haver certas coisas que não são tão boas para um esportista, como beber álcool ou algo assim. Você tem regras específicas?

RV: Isso é 100% verdade — álcool e tabaco são muito ruins para o cérebro. Mas os jovens jogadores profissionais de xadrez entendem isso mesmo sem que eu precise dizer a eles.

Vladimir Fedoseev e Anish Giri resolvendo exercícios do treinador Vidonyak

SS: Você mencionou ontem o match contra o Gukesh, que vai ser muito interessante. No momento, muita gente diz que o Javokhir é o favorito. Mas você mencionou essas duas versões do Gukesh — o Gukesh que não está em forma e o Gukesh “monstro”. Você poderia explicar melhor?

RV: Sim. O monstro. Tenho medo do Gukesh “Monstro”. É claro que, como vi suas partidas na Olimpíada e em alguns torneios anteriores, fiquei com medo de que ele tivesse um preparador físico melhor do que eu.

Todo time bom no esporte tem um treinador, como Pep Guardiola ou Jurgen Klopp, por exemplo. Mas toda equipe tem um preparador físico que dedica 90% do tempo às habilidades atléticas dos jogadores de futebol e basquete, e eu sou um preparador físico. Gajewski não é um preparador físico — ele é um treinador de aberturas, eu acho. Sim. Mas acho que Gukesh tivesse um preparador físico muito bom.

SS: Em resumo, um preparador físico seria alguém que ajuda a compreender o xadrez em profundidade? Está correto?

RV: Sim! Veja, por exemplo, o Ronaldo ou o Messi. Ele não joga com o preparador físico da equipe o tempo todo. Ele treina com um preparador físico constantemente, ano após ano, dia após dia, semana após semana — para poder demonstrar essas habilidades que possui. E o xadrez também precisa desse preparador físico. A maioria dos super GMs tem apenas um treinador de teoria, apenas um treinador de aberturas. Acho que isso é um erro.

SS: Tenho quase certeza de que todos tiveram um “preparador físico” em algum momento, e então os super GMs sentem que já passaram por essa fase e agora precisam se concentrar mais nas aberturas. É isso que acontece?

RV: Acho que não tivemos nenhum preparador físico no xadrez. Por exemplo, Dvoretsky — ele esteve com um bom GM por uma fase, com outro GM por duas fases. Mas o treinamento físico é para todos os dias, para todas as semanas entre os torneios. A intensidade é muito importante.

SS: Falando do preparador físico do Gukesh, você acha que ele/ela é muito bom(a)?

RV: Não sei como o Gukesh conseguiu, mas ele jogou muito bem. E então algo aconteceu. Acho que foi uma definição errada de metas. Acho que, na cabeça dele, ser campeão mundial era a meta máxima, mas não é correto que um super GM tenha como meta máxima conquistar o título de campeão mundial.

SS: Qual deveria ser a meta?

RV: Falei sobre nossas quatro metas. Já cumprimos duas: classificar para o Torneio dos Candidatos e vencer o Candidatos. A terceira etapa é vencer o Campeonato Mundial, mas não é a última etapa. O passo mais importante, não apenas para os jornais, é tornar-se um jogador tão forte a ponto de dominar o xadrez, como Karpov, Kasparov e Carlsen fizeram por muitos e muitos anos. Vencer todos os torneios e ser o jogador de xadrez mais forte do mundo é um objetivo muito importante, e muito difícil — é um sonho, claro, mas é importante ter esse objetivo.

E acho que Gukesh chegou ao seu último passo para se tornar campeão mundial e pensou: “O que faço agora? Tenho que mostrar para o mundo inteiro que sou o melhor”, mas ele não era o melhor! Ele precisa entender que tem que trabalhar para isso por muito tempo e alcançar esse objetivo talvez em dois, três, quatro anos. Isso era um segredinho, mas desejo tudo de bom para o Gukesh também.

SS: Isso pode ajudá-lo em sua trajetória no xadrez. Mas, de modo geral, no que diz respeito a Javokhir e Gukesh, quão acirrado você acha que será o confronto?

RV: Contra o Gukesh “monstro”, eu daria 53% de chances para Javokhir, mas será um confronto muito difícil e aberto. Dois jovens disputam o Campeonato Mundial. É a primeira vez no mundo do xadrez!

Sindarov e Gukesh se enfrentarão no fim do ano

SS: Sabe, Roman, quando você menciona um número como 53, isso me faz pensar: como é possível que exista esse número? É como se alguém dissesse “meio a meio”.

RV: É apenas um pressentimento. É realmente difícil de explicar, mas sinto isso — um pouco mais de chances para o Javokhir nesse match. Javokhir no auge e Gukesh no auge.

SS: Você diria que o Javokhir está no auge agora? Quero dizer, é claro que ele vai se esforçar e vai melhorar, mas...

RV: Sim, claro. As últimas duas semanas [do Torneio de Candidatos] foram o nível mais alto da vida de Javokhir.

SS: Você toma certas decisões que são muito interessantes. Em Goa, você deveria ter vindo com Javokhir, mas não conseguiu. E então você disse: “Leve alguém com você”, e Madaminov veio.

RV: Sim, foi a primeira vez que Madaminov apoiou Javokhir como segundo (uma espécie de assistente), mas sei que ele é um bom amigo de Javokhir e, em um torneio longo como a Copa do Mundo, é muito importante ter um amigo ao seu lado. E Madaminov não é apenas um bom amigo, ele é um excelente assistente, um jogador de xadrez muito forte. Ele treinou nos meus intensivos e talvez venha a integrar a equipe da Olimpíada de Xadrez. Espero que sim. Desejo que ele seja não apenas um excelente assistente, mas um GM muito forte.

SS: Você também já trabalhou com Nodirbek Abdusattorov?

RV: Por alguns dias. Foi extremamente interessante para mim, é claro. Acho que vamos trabalhar juntos no futuro novamente. Ele é uma máquina — não apenas para jogar, mas de treinar. Que concentração, que motivação nos treinos! Ele é o número um entre todos os alunos que tive até agora. E no tabuleiro, ele tem esse instinto assassino. É muito forte. Acho que, se Nodirbek quiser jogar xadrez por muito tempo, ele vai dominar. Vai ser muito difícil para Javokhir.

SS: Quando você olha para Nodirbek e Javokhir, quais são as semelhanças e diferenças que você vê?

RV: Não quero falar sobre isso; é muito pessoal, e não falo muito sobre meus alunos porque são eles que me dão essas informações — essas informações privadas.

SS: Minha impressão do Javokhir é que ele flui naturalmente. Ele é tão tranquilo, tão feliz, e tem um foco intenso no tabuleiro. De repente, numa coletiva de imprensa, ele está brincando e rindo.

RV: Eu costumava chamá-lo de “iluminado”, mas agora chamo de “TNT”. Você conhece essa música do AC/DC? Você tem que ouvir. É 100% Javokhir. TNT. Sim. Então, ele pode parecer um cara muito relaxado e tranquilo, mas no tabuleiro ele é mortal.

SS: Ótimo. Roman, conversando com você, aprendi muito sobre o mundo do xadrez e gostei muito. É um bom momento para encerrarmos, pois você já compartilhou muitas coisas. Mas adoraria saber mais, e talvez quando o livro for lançado eu adoraria lê-lo. Seria incrível.

RV: Espero que sim. E vou tentar aprender um pouco mais de inglês para poder conversar melhor com você. Obrigado.

Entrevista completa em inglês no canal Chessbase India:

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