Algumas semanas atrás eu vi uma publicação muito legal no ChessBase sobre como os cafés temáticos de xadrez estão passando por um verdadeiro renascimento em diversos países.
Eu sei, em um primeiro momento, esse tipo de espaço público parece ser de um passado distante, mas diversos entusiastas ao redor do mundo buscam reviver cafés, bares e restaurantes de xadrez. Os resultados são promissores, e o melhor: usam a tecnologia para auxiliar no processo e atrair pessoas.
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| Fonte: Chessbase |
O xadrez como um jogo social
A história das competições de xadrez tem início nos cafés das maiores cidades da Europa do século 18. As pessoas se reuníam para discutir política, arte, cultura e outros assuntos da sociedade. Em uma época sem celulares, era natural recorrer aos jogos para passar o tempo. Os mais comuns eram jogos de cartas, bilhar e xadrez.
Alguns cafés existem até hoje, embora não estejam mais ligados ao xadrez, como o Café Central em Viena, o Café de la Régence em Paris e o Simpson's in the Strand em Londres. Outros espaços semelhantes surgiram ao decorrer dos anos, mas o interesse dos jogadores foi diminuindo com o tempo, principalmente após o surgimento do xadrez online.
É claro que jogar sozinho frente a um computador ou celular é bem diferente. Você e seu oponente podem ser (quase) anônimos um para o outro. Você perde a experiência de sentar de frente ao adversário, mover as peças, pressionar o relógio e, após o jogo, discutir chances perdidas.
É por isso que muitos amantes do xadrez buscam o retorno dos espaços dedicados ao xadrez como prática social.
Um dos casos de sucesso recente é o Barmbeker Schachcafé, idealizado pelo alemão Sven Rehders. Ele teve a ideia de incentivar e reunir entusiastas do xadrez que não querem competir oficialmente, mas desejam apenas jogar ocasionalmente e se divertir; desde iniciantes até pessoas que não querem participar de um clube propriamente dito.
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| Fonte: Schachtreff Hamburg on Facebook |
É possível participar quando quiser, inclusive sem comprometimento financeiro: o café cobra apenas 5 euros por noite de xadrez, com encontros nas quartas e sextas-feiras. Em mais de 100 noites de xadrez, o local já recebeu mais de 700 jogadores e se provou um sucesso.
A tecnologia a favor do xadrez (e dos cafés!)
Para ajudar os novos interessados, a comunidade desenvolveu um aplicativo chamado chess.connect, no qual é possível ver em tempo preal onde há locais públicos para a prática de xadrez, bem como onde os jogadores estão se reunindo.
Cada jogador é representado por um ícone de peça de xadrez, ou seja, quando vários estão juntos em uma área, significa que é possível se juntar a eles para jogar.
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| Fonte: Chessbase |
Clubes, federações e espaços públicos de jogos (não apenas xadrez) são uma excelente alternativa para sair das telas e do ecossistema online, trazendo-os de volta aos tabuleiros e, quem sabe, resgatando o aspecto social dos jogos. Em meio a tantas estratégias possíveis para atrair a atenção das pessoas, essa é uma que tem funcionado em diversos locais.
Aqui no Brasil, espaços dedicados ao xadrez nunca fizeram parte da tradição do país como um todo. O boom do xadrez só aconteceu há alguns anos. O número de entusiastas cresce a cada dia, e ainda tem potencial para crescer ainda mais. Assim, a pergunta que fica é: será que em breve teremos cafés, restaurantes e outros espaços públicos dedicados ao xadrez aqui no Brasil?



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